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Mundo Pet

Driblando o calor

12 de fevereiro de 2019

Se a gente já sente muito incômodo no verão, imagine um cachorro, com todo aquele pelo por cima da pele. Se você tem um bichinho de estimação, redobre seus cuidados nesta época do ano para ele não sofrer ainda mais com os efeitos do calor.

É só chegar nesta época do ano que a rotina da economista Andrezza Rosalém com seus dois filhos de pelo muda completamente. A golden retriever Mabel e o maltês Billy passam a ser ainda mais monitorados para não sofrerem muito com as altas temperaturas do verão. Quando o calor chega, eles já passam por uma boa tosa, principalmente na barriga, para ambos poderem deitar no chão e se refrescarem um pouquinho no piso frio.

Além disso, Andrezza disponibiliza mais água, sempre fresca, trocada várias vezes ao dia. E geladinha também, porque Mabel e Billy merecem. “Colocar algumas pedrinhas de gelo no potinho até os estimula a beber mais água, porque o golden, principalmente, gosta de brincar com elas e acaba tomando. Também faço uns gelinhos com alguma fruta batida com água, como se fosse um picolé. Isso os ajuda a se refrescarem e ameniza um pouco a sensação térmica”, conta Andrezza.

Ela e o marido alteram ainda o horário da caminhada. Nesta época do ano, todos vão mais cedo, entre 6h30 e 8 horas, ou mais tarde, depois das 18 horas, para a rua. “A gente tem cuidado com a temperatura do solo. Levo água para eles tomarem durante o passeio ou ofereço água de coco. Temos que cuidar principalmente do Billy, que, com 14 anos, já é um idoso e, por isso, costuma beber menos água.” Toda semana, Mabel e Billy também vão à praia, para curtirem um banho de mar. Depois, tomam banho de água doce e têm os pelos completamente secos. “Nesta época do ano, as pessoas costumam dar banho e deixar o animal molhado para refrescar, mas é aí que mora o perigo, pois a umidade pode causar dermatite. Com a Mabel, por exemplo, temos ainda mais cuidado, porque, se deixar, ela mergulha na própria vasilha de água e fica molhada”, revela a economista.

Cuidados necessários

A preocupação de Andrezza não é à toa. Os cachorros sofrem, e muito, com as altas temperaturas. O veterinário Marcelo Oliveira Chamelete explica que se a gente já está morrendo de calor, provavelmente o cachorro está com uma sensação muito maior de desconforto. “Isso por que temos mecanismos mais eficientes de dissipação do calor, além do próprio recurso que temos de mudar de ambiente, ligar um ventilador ou ar-condicionado ou mesmo explicar que queremos ajuda e não estamos nos sentindo bem. Já os cães não nos avisam ou reclamam do calor, principalmente se estiverem fazendo uma atividade prazerosa, como um passeio, ou uma corrida.”

E como os cães geralmente não transpiram, à exceção de algumas raças, eles usam principalmente a respiração para controlar a temperatura interna. “Por isso, quando estão com calor eles respiram com maior frequência e ficam ofegantes. Se a temperatura interna subir mais, a língua e os olhos tendem a ficar bem vermelhos e a respiração começa a ficar muito barulhenta, principalmente nos obesos e raças de focinho achatado. Se a temperatura continuar subindo ou o ar inspirado for mais quente do que o expirado (dentro de um carro fechado, por exemplo), o animal pode ter um colapso por causa da temperatura alta”, ressalta o veterinário.

No verão, cuidar ainda mais do animal não é frescura nem exagero. O risco de fazer passeios em horários de altas temperaturas vai muito além de provocar queimaduras nas patas, e até mesmo o estresse causado pelo calor pode ocasionar diminuição do apetite e apatia. “Não há necessidade de tratamento num primeiro momento, mas deve-se oferecer um ambiente mais fresco e banho, que trazem mais conforto do que a ingestão de líquidos gelados, por exemplo.”

Se for possível, também deve-se proteger a pele do animal. “Existem filtros solares específicos para cães, porém se você não tiver acesso a esses protetores veterinários pode usar os de farmácia; é só ficar atento para eles não retirarem o produto lambendo. As doenças de queimadura solar podem ser bem feias em cães e gatos e, para leigos, elas não parecem uma queimadura, até mesmo pela região onde mais aparecem, a barriga e a orelha. Se não tratadas adequadamente, elas podem se tornar um tipo de câncer bem agressivo”, afirma o veterinário.

Mosquitos, pulgas e carrapatos bem longe

Com o verão, aumenta a incidência de mosquitos e, consequentemente, a probabilidade de transmissão de algumas doenças ou aparecimento de alergias. “A dirofilariose, por exemplo, conhecida como o verme do coração, pode acontecer em algumas regiões do Espírito Santo. A leishmaniose também ocorre em alguns lugares do nosso Estado. Alguns animais podem ter problemas alérgicos com picadas de mosquito, mas um veterinário é capaz de reconhecer as lesões de pele causadas por essa alergia”, explica o veterinário Marcelo.

De acordo com ele, outra preocupação do verão é a maior presença de parasitas como pulgas e carrapatos. “O ambiente se torna mais favorável à reprodução e alimentação dessas pragas. Por isso o cuidado e a aplicação de remédios que as controlam devem ser levados bem a sério, tanto em casa quanto nos animais.”

Para um verão sem preocupação

1. Atenção ao horário dos passeios. Evite o sol entre 10 e 15 horas e sempre teste a temperatura do local onde vai passear com o pet.

2. No caso das raças que possuem o focinho achatado, os cuidados devem ser redobrados, pois elas são mais propensas a ter dificuldade de respiração e hipertemia. O ideal é manter o animal sempre em locais mais frescos e cuidar para que o peso do pet esteja dentro do recomendado.

3. O horário de banho dos pets também deve ser observado. Nos finais de semana, por exemplo, os pet shops ficam mais cheios e, com o grande fluxo de animais no ambiente, a circulação do ar acaba ficando comprometida. O ideal é levar os animais para tomar banho no início da semana, quando há menos animais.

4. Assim como a maioria das pessoas, os pets também acabam perdendo o apetite no verão. Por isso, é necessário mantê-los hidratados. Sempre ofereça água, pedras de gelo e petiscos e frutas congeladas.

5. O uso do protetor solar é importante, principalmente no focinho, nas pontas das orelhas e na barriga. Assim, evitam-se queimaduras e previne-se contra o câncer de pele, que também pode acometer os animais.